quarta-feira, 9 de julho de 2008

A Polegazinha**

Numa casinha perto de um rio vivia, há muito tempo, uma senhora bondosa, que se sentia muito triste por ter filhos. Mas, um dia, descobriu, entre as pétalas de uma rosa, uma menina muito pequenina, que uma fada boa aí deixara. Oh, que linda criança! E, como não era maior do que um polegar, a boa senhora deu-lhe o nome de Polegarzinha. Ao longo dos anos a Polegarzinha arranjou muitos amigos: joaninha, libelinhas, abelhas e muitos outros, com que adorava brincar e divertir-se perto do rio. -Chiu, a Polegarzinha adormeceu – sussurrou uma das joaninhas. – Vamos ficar aqui a tomar conta dela. Deitada num nenúfar, a jovem adormecida deixava-se embalar pela água. Mas… ai dela! Ninguém viu um sapo mau sair da água. - Que menina encantadora! – pensou ele. – Fará uma esposa perfeita para o meu filho. Vou já levá-la. Cortou o pé do nenúfar e foi escondê-lo entre os juncos! - Dorme, minha linda, e que tenhas bons sonhos. Vou buscar o meu filho para vocês se casarem… Assim que acordou, a Polegarzinha arregalou os olhos e desatou a chorar. - Onde estou? Mamã, mamã! Polegarzinha! Bem podia chorar, que ninguém lhe respondia. Ia a trepar por um junco quando, subitamente, uma truta saltou fora da água. - Não faças barulho, Polegarzinha. Fui o sapo que te raptou. Tens de sair daqui imediatamente! - Anda – disse-lhe então uma borboleta. – Eu levo-te para junto de uns amigos que moram no bosque. Eles tomam conta de ti. A menina não tinha escolha e, naturalmente, seguiu a borboleta. Porém, assim que espreitou por baixo da folhagem, saltou um grande “oh” de admiração. Nunca tinha visto nada assim. Este pequeno bosque transborda de frutos, cada um maior do que o outro! Havia framboesas, amoras e morangos silvestres que apenas esperavam ser comidos! - Come, Polegarzinha, come. Há muita fruta e tu deves ter fome – disse-lhe uma lagarta. Só que, infelizmente, os meses passaram e, com o Inverno, chegaram a neve e o frio Os amiguinhos da Polegarzinha protegiam-se nos seus abrigos; alguns partiram mesmo para longe; enquanto ela não sabia sequer para onde ir. Vagueava na neve, embrulhava numa grande folha, mas as mãos e os pés estavam gelados! Sentia-se muito cansada; as forças começavam a faltar-lhe, porque já não havia nada para comer. Quando menos esperava, diante dele abriu-se uma porta e apareceu uma ratita. - Pobre pequena disse a senhora Rato. – Vais morrer de fome! Entra. Anda comer e aquecer-te. A Polegarzinha era tão meiga e prestável que a senhora rato ficou com ela.Fazia-lhe vestidos bonitos e a menina ajudava-a na lida da casa. A partir dessa altura, o senhor toupeira vinha muitas vezes dar dois dedos de conversa e ia lançando olhares meigos à bonita jovem.- “Uma mocetona!” – pensava ele.O Verão banhara generosamente os campos com os seus raios de sol e as aves preparavam-se agora para a sua viagem em direcção aos países quentes. Mas, uma manhã, ao dirigir-se ao rio, a Polegarzinha descobriu uma andorinha inanimada na erva.O senhor Toupeira e a senhora Rato levaram-na imediatamente para dentro de casa.- Oh! Estás magoada numa asa – disse a Polegarzinha- Vou já lavar a ferida com água – respondeu a senhora Rato.O tempo passou. A Polegarzinha velou a andorinha durante noites inteiras e depressa ficaram muito amigas. Dava-lhe de beber numa casca de avelã, acariciava-lhe a cabeça e procurava-lhe todos os dias comida fresca. Por vezes, até adormecia ao lado da avezinha.- Em breve voarás de novo – prometia-lhe.- E será graças a ti, Polegarzinha – respondia – lhe a andorinha reconhecida.Chegou, por fim, o grande dia. A menina tirou cuidadosamente a ligadura à avezinha. Do alto da casa do senhor toupeira, os três amigos ajudaram a andorinha a levantar voo…- Polegarzinha, nunca te esquecerei…- Boa viagem, e até para o ano!Passavam-se as estações e a polegarzinha perdia as esperanças de voltar a ver a mãe. Quando, na Primavera seguinte, o senhor Toupeira veio pedi-la em casamento, ela desfez-se em lágrimas.- Eu adoro a luz, o sol, o vento; não posso viver debaixo de terra…- Vá lá, pensa melhor – dizia a senhora Rato para a consolar. – O senhor Toupeira é bom rapaz, tomará bem conta de ti.Mas a polegarzinha não podia aceitar semelhante casamento. E, uma manhã, fugiu pelos campos fora. De repente, lá bem alto, no céu, descobriu a sua amiga andorinha. Por sorte, perto dela uma grande margarida estendia a cabeça para o sol. A Polegarzinha trepou pelo caule e chamou – a.Contou-lhe então toda a sua história e os horríveis planos de casamento.- Anda, sobe para as minhas costas. Conheço um país onde serás feliz – disse a andorinha.As duas amigas sobrevoaram um sem números de regiões, cada uma mais bonita do que a outra.- É incrível! – dizia a Polegarzinha. – Tenho a impressão de que sou enorme e que lá em baixo é tudo tão pequenino! Olha para ali, aquelas cores todas!- Estamos a chegar. É o país das flores – respondeu-lhe a andorinha.Pousou suavemente no centro dum maciço de flores brancas. Por todo o lado viam-se umas carinhas bonitas de narizito no ar. - Oh! São do mesmo tamanho que eu.- São os meus amigos elfos!Entre os elfos havia um príncipe e ao primeiro olhar, a polegarzinha e ele sentiram que tinham sido feitos um para o outro. Casaram nessa mesma noite, ao luar. A menina sentiu então que lhe nasciam asas e tornou-se também ela um elfo.-Amanhã vamos a casa da minha mãe. Já não a vejo há tanto tempo… – decidiu ela.
Autores: Marie Duval e Alain Jost
Ilustração: Liliane Crismer

3 comentários:

Kali disse...

Gosto muito desta história, adora ver isso em cassete quando era mais nova ;)

Kali disse...

>adorava

Nexita disse...

finalmente já se foi